Edição do dia
Segunda-feira, 19 de outubro de 2026
- Adeus, 6x1: a partir de dezembro, a semana terá dois dias de folga
- Não votou no primeiro turno? Você ainda pode votar no domingo (25)
- Protestos contra o custo de vida na França deixam morto e mais de 2 mil presos
- Benito di Paula, voz e piano do samba-joia, morre aos 84 anos
- Corredor de nuvens traz chuva forte a partes do Norte, Centro-Oeste e Sudeste
- Finep sobe a R$ 450 milhões o aporte para inovação regional
Economia
Adeus, 6x1: a partir de dezembro, a semana terá dois dias de folga
Trabalhar seis dias para descansar um vai deixar de ser regra no Brasil. A Emenda Constitucional 141/2026, promulgada pelo Congresso na sexta-feira (16), põe fim à escala 6x1 e a substitui pela 5x2, sem redução de salário. A mudança vem em duas etapas.
Na primeira, 60 dias depois da publicação da emenda, a folga semanal dobra, de um para dois dias, e a jornada máxima cai de 44 para 42 horas. Um dos dias de descanso deve ser, de preferência, o domingo. Na segunda, um ano depois disso, o teto passa a ser de 40 horas semanais, segundo a Agência Senado. A emenda também permite compensar folgas, desde que a média do mês seja de dois dias de descanso por semana e haja pelo menos um dia livre a cada sete.
O caminho até aqui foi longo. A proposta que deu origem à emenda, a PEC 221/2019, foi apresentada pelo deputado federal Reginaldo Lopes em dezembro de 2019 e passou mais de três anos parada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Só ganhou tração em 2023, mesmo ano em que surgiu o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), criado por Rick Azevedo, então balconista de farmácia, a partir de vídeos em que ele relatava a rotina da escala 6x1.
Os números que importam
- 2 dias de descanso semanal remunerado, a partir da primeira etapa, em dezembro.
- 42 horas: a jornada máxima semanal na primeira etapa, contra as 44 horas de hoje.
- 40 horas: o teto definitivo, 14 meses depois da publicação da emenda, o que leva a dezembro de 2027.
- 36 horas: o limite que a proposta original, de 2019, chegou a prever.
- Mais de 200 deputados acompanharam Erika Hilton na PEC 8/2025, que propunha semana de quatro dias e acabou unificada à proposta de 2019.
Quem é afetado
A redução vale para quem tem carteira assinada pela CLT. Servidores públicos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios não têm a jornada alterada. Também ficam fora das regras de duração e controle de jornada os empregados com diploma de nível superior que ganham 2,5 vezes o teto do Regime Geral de Previdência Social ou mais. Para eles continuam valendo o que for negociado coletivamente e o repouso semanal. Quem já trabalha 40 horas ou menos não terá a jornada reduzida na mesma proporção.
Em entrevista à Agência Brasil, o próprio Rick Azevedo, que se elegeu deputado federal pelo Rio de Janeiro com 191.371 votos, reconheceu que a transição precisa ser organizada, sobretudo para os pequenos negócios. Segundo a Agência Senado, uma futura lei complementar poderá prever medidas de adaptação para microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, desde que os empregos sejam mantidos.
O que pode acontecer
Enquanto durar a transição, acordo ou convenção coletiva poderá esticar a jornada de cada dia para chegar às 42 horas semanais, contanto que as duas folgas sejam mantidas. Cláusulas incompatíveis com as novas regras perdem a validade depois de 60 dias.
Azevedo disse ver risco de empresas contornarem a regra com contratação como pessoa jurídica ou terceirizações, e defendeu fortalecer a fiscalização, o Ministério do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho e os sindicatos. Questionado pela Agência Brasil sobre o risco de o novo Congresso rever a mudança, ele disse que essa é uma de suas maiores preocupações.
O que observar
- Dezembro de 2026: começam as duas folgas semanais e o teto de 42 horas, 60 dias após a publicação da emenda.
- Dezembro de 2027: a jornada máxima cai para 40 horas.
- Pequenos negócios: se a lei complementar de adaptação será apresentada e o que vai prever.
- Fiscalização: se surgirão contratações para driblar a regra, como aponta o próprio criador do movimento.
Brasil
Não votou no primeiro turno? Você ainda pode votar no domingo (25)
Quem não votou no primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, realizado em 4 de outubro, pode votar normalmente no segundo turno, marcado para o próximo domingo (25). A condição é estar com a situação eleitoral regular. Segundo a Agência Brasil, cada turno é considerado uma eleição independente.
O tema atinge muita gente: o primeiro turno teve um recorde de ausências, com 33,4 milhões de eleitores que não compareceram, o equivalente a 21,08% do eleitorado, segundo os dados divulgados pela Agência Brasil.
Os números que importam
Prazos e dados divulgados pela Agência Brasil:
- 25 de outubro: data do segundo turno.
- 3 de dezembro: fim do prazo para justificar a falta no primeiro turno.
- 8 de janeiro de 2027: data informada como prazo para justificar a ausência no segundo turno.
- Mais de 314,5 mil eleitores pediram para votar em trânsito no segundo turno.
Quem é afetado
Todo o eleitorado volta às urnas para escolher o presidente da República. Em cinco estados e no Distrito Federal também haverá segundo turno para governador: Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins.
Quem estiver escalado para trabalhar no domingo não pode ser impedido de votar. Cabe ao patrão ajustar o expediente para que o empregado consiga chegar à seção eleitoral, que funciona das 8h às 17h, no horário de Brasília.
Para quem pediu voto em trânsito, a votação acontece em seções próprias, nas capitais e nos municípios com mais de 100 mil eleitores. Nas seis unidades da Federação com segundo turno estadual (Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins), o eleitor em trânsito dentro da mesma unidade da Federação do seu domicílio eleitoral vota para presidente e para governador.
O que observar
- Onde votar: o local de votação pode ser consultado no aplicativo e-Título ou pela internet, no Autoatendimento Eleitoral.
- Como justificar: pelo e-Título (celular e tablet), pelo Autoatendimento Eleitoral nos portais da Justiça Eleitoral ou presencialmente, num cartório eleitoral.
- Documentos: depois da eleição, o pedido de justificativa precisa vir acompanhado de documentos que comprovem o motivo da ausência, que serão analisados pela Justiça Eleitoral.
Mundo
Protestos contra o custo de vida na França deixam morto e mais de 2 mil presos
A França voltou a ter confrontos nas ruas de Paris no domingo (18). Na véspera, o país viveu um dos dias mais violentos dos últimos anos em protestos contra a alta de preços, e um manifestante morreu depois de sofrer uma parada cardíaca em Paris. Segundo o ministro do Interior, Laurent Nunez, a polícia fez mais de 2 mil prisões, e mais de 600 policiais ficaram feridos.
No sábado (17), mais de meio milhão de pessoas marcharam em dezenas de cidades. Centenas de milhares protestaram de forma pacífica, mas grupos violentos saquearam lojas e atacaram policiais. Em Limoges, a prefeitura, um prédio de 143 anos, foi incendiada e amplamente destruída, num ataque criminoso, segundo a reportagem; o prefeito Guillaume Guerin disse que houve intenção premeditada de incendiar o prédio. Na rede de varejo Carrefour, 50 lojas foram danificadas, 20 delas saqueadas, segundo o presidente-executivo da empresa, Alexandre Bompard, à emissora BFMTV.
O movimento começou há um mês, com estudantes reclamando das escolas e da falta de professores na periferia. Depois, cresceu e virou um protesto contra o custo de vida, a desigualdade e os cortes de gastos públicos. O governo atribui a violência a grupos de extrema-esquerda e a criminosos. Já o líder da extrema-direita francesa, Jordan Bardella, pediu a renúncia do presidente Emmanuel Macron, que deixa o cargo em 2027.
Por que importa: é um retrato de até onde pode ir a irritação com o custo de vida numa economia fraca e endividada. E aumenta a pressão sobre Macron, num governo cada vez mais marcado pelo descontentamento social.
Cultura e Esporte
Benito di Paula, voz e piano do samba-joia, morre aos 84 anos
A música brasileira perdeu no domingo (18) um de seus pianos mais reconhecíveis. Benito di Paula morreu aos 84 anos em São Paulo, informou a Agência Brasil. Segundo a agência, o artista enfrentava um câncer havia cerca de um ano e estava hospitalizado no 9 de Julho.
Nascido Uday Vellozo, ele nasceu em Nova Friburgo (RJ) e fez sucesso nacional nos anos 1970 e 1980 misturando samba e romantismo, com o piano como marca. Virou um dos principais nomes do samba-joia, vertente muito popular no país, e somou mais de cinco décadas de carreira. Entre os sucessos que atravessaram gerações estão Retalhos de Cetim, Charlie Brown, Se Não For Amor e Vai Ficar na Saudade.
Por que importa: Benito marcou gerações com uma assinatura própria, a voz inconfundível e o piano à frente. A morte dele fecha um capítulo importante da música popular brasileira.
Ciência e Saúde
Corredor de nuvens traz chuva forte a partes do Norte, Centro-Oeste e Sudeste
Um corredor de nuvens carregadas provoca chuva forte em parte do país nesta segunda-feira (19). O fenômeno, chamado Zona de Convergência do Atlântico Sul, levou o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) a colocar partes da Amazônia e do Sudeste em alerta amarelo, o nível de perigo potencial para tempestades.
No Norte, a previsão é de chuva com trovoadas no Amazonas, no Acre, em Rondônia, em Roraima, no Tocantins e no centro e sul do Pará. Já no Centro-Oeste, os temporais se concentram no norte e no noroeste de Mato Grosso e no norte de Goiás, com dia chuvoso também no Distrito Federal. No Sudeste, as trovoadas atingem o extremo norte de Minas Gerais; em Belo Horizonte e no Espírito Santo, a chuva deve vir mais fraca.
Faz calor em parte do país: Teresina pode chegar a 38 °C e Porto Velho, a 36 °C. O Sul vive outra realidade. Uma massa de ar frio mantém o tempo seco, com mínima de 9 °C em Porto Alegre e possibilidade de geada no norte gaúcho, nas serras e no centro de Santa Catarina e em várias regiões do Paraná.
Por que importa: o alerta amarelo indica perigo potencial de tempestade em partes da Amazônia e do Sudeste. Quem mora nas áreas em alerta ou com previsão de trovoadas deve acompanhar os avisos do Inmet ao longo do dia.
Negócios e Tecnologia
Finep sobe a R$ 450 milhões o aporte para inovação regional
A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) ampliou de R$ 300 milhões para R$ 450 milhões a segunda rodada da chamada Mais Inovação Brasil Subvenção Econômica. O dinheiro vai para empresas do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste e deve apoiar 114 projetos de inovação com risco tecnológico.
Subvenção quer dizer recurso não reembolsável: a empresa não devolve o valor, como faria num empréstimo. A chamada aceita empresas de todos os portes. Entre os projetos aprovados inicialmente, três em cada quatro (75%) são de micro e pequenas empresas, aquelas que faturam até R$ 4,8 milhões.
Os R$ 150 milhões extras foram anunciados na sexta-feira (16) pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. Dos R$ 300 milhões originais, o Nordeste ficou com R$ 150 milhões, o Centro-Oeste com R$ 100 milhões e o Norte com R$ 50 milhões. Para o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, a chamada é uma forma de o Estado dividir com as empresas o risco de desenvolver tecnologia.
Por que importa: subvenção é dinheiro do contribuinte que não volta ao caixa; por isso, vale acompanhar quais projetos serão escolhidos e o que vão entregar. Para pequenas empresas dessas regiões, é uma forma de financiar inovação sem contrair dívida.